Imigrantes
Os portugueses em Pederneiras
Imigrantes vindos de Portugal e famílias de origem portuguesa formadas em Minas Gerais e no interior paulista, presentes desde a fundação do povoado.
Pederneiras recebeu imigrantes vindos diretamente de Portugal e também descendentes de portugueses que, depois de formar família em outras partes do estado e do país — sobretudo em Minas Gerais —, se mudaram para cá.
As famílias
Antonio de Arantes Marques e seu irmão João de Arantes Marques, naturais de Braga, vieram para o Brasil ainda no século XVIII, radicando-se em Aiuruoca, Minas Gerais. Descendente de Antonio de Arantes Marques, Joaquim Thomaz de Arantes casou em 1867 em Baependi, Minas Gerais, com Gabriela Cândida Pereira e com ela teve oito filhos. Com o falecimento de seu marido, vendeu a propriedade em Minas Gerais e mudou para Pederneiras, onde adquiriu a fazenda Sobrado, administrada pelo seu filho primogênito José Vicente Arantes. José Vicente Arantes casou pela primeira vez com Edorgina Albertina Figueiredo e pela segunda vez com Afonsina Amélia Figueiredo. José Vicente Arantes foi vereador de 1920 a 1932, presidente da Câmara de 1926 a 1930 e prefeito municipal em 1921/22 e 1924/25.
Antonio de Freitas Pereira Filho, natural da Ilha da Madeira, chegou ao Brasil em 1890 e seguiu para Bica de Pedra (atual Itapuí) onde se dedicou à lavoura. Em 1927 mudou para Pederneiras onde a família adquiriu terras em Água Limpa (Santelmo) e no Ribeirão Bonito, onde plantaram cento e vinte mil pés de café. Antonio casou com Suzana Cardoso Sebastião, portuguesa, e tiveram oito filhos: Maria, Joaquim, Luis, Antonio, Aparecida, Damião, José e Ana de Freitas Pereira.
Antonio Pereira dos Santos chegou em 1902 em Lençóis Paulista, depois Macatuba e em 1927 fixou-se em Pederneiras e adquiriu a fazenda Barra dos Patos, vendendo-a em 1936 para José Razuk. Casou com Henriqueta Pereira de Freitas e tiveram dez filhos: Olga, Adalgiza, Deolinda, Lídia, Celina, Nilda, Alcides, Francisco, Nereu e Antonio Pereira dos Santos.
Domingos Antônio Pereira, da Freguesia de São Salvador do Monte Córdova, Porto, chegou ao Brasil entre 1720 e 1740. Fixou-se na região do antigo Ribeiro Fundo de Nossa Senhora de Nazareth, em Minas Gerais, e foi o pioneiro do tronco Pereira. Seu descendente Antônio Florêncio Pereira, nasceu em Baependi (MG) e casou com Jesuína dos Reis. Seus filhos partiram de Minas Gerais para Pederneiras seguidos pelo pai em 1890 e onde iniciaram, com a aquisição de 500 alqueires de matas, a formação da fazenda Lageado. Seu filho Antônio Florêncio Pereira Junior participou ativamente da sociedade pederneirense, colaborando na criação da Comarca, da construção da antiga igreja, da Santa Casa e do prédio da União Católica. Seu maior empreendimento foi a Empresa Força e Luz Pederneiras Ltda. O antigo Estádio do Esporte Clube Comercial, hoje Ginásio de Esportes, leva o nome de “Antônio Florêncio Pereira”. Seus irmãos também tiveram grande participação no desenvolvimento da cidade. Belmiro Pereira formou a fazenda Recreio, Joaquim Florêncio foi um dos reorganizadores da Conferência de São Vicente de Paulo, Josino Florêncio se dedicou às terras em que formou suas fazendas e foi co-fundador da Empresa Força e Luz.
João Cardoso Felício formou em Pederneiras fazendas de café, construiu inúmeras casas e como empreiteiro de obras, construiu o trecho ferroviário entre Pederneiras e Agudos. Casou com Anna Romera Martins e teve sete filhos: João Cardoso Felício Filho, Anna, Maria, Rosa, Thereza, Nelson e Joaquim Cardoso Felício.
Joaquim Hipólito Figueiredo deixou Portugal no final do século XIX e fixou-se em Boa Esperança, Minas Gerais. Casou com Maria das Dores Figueiredo, tendo sua filha Maria Madalena vindo para Pederneiras, onde casou com Agenor Arantes de Figueiredo e tiveram seis filhos: Maria, Joaquim, Waldomiro, José Milton, Washington Vasco e Tereza Figueiredo. O casal residiu na fazenda Queixada, mudando para a cidade em 1937. De tradicional família católica, colaborava em todas as festas da Igreja.
Joaquim Antonio Esteves chegou em fins do século XIX. Casou com Appolinaria Antonia Franco e tiveram três filhos: Tertuliano, Maria e Zacarias. Joaquim Antonio Esteves foi vereador em 1897 e 1898. Seu filho Zacarias Antonio Esteves foi serventuário de Justiça, provedor da Santa Casa, colaborou na construção da Igreja Matriz de São Sebastião e de fervorosa fé cristã, participou de todas as iniciativas da Igreja.
Francisco da Silva Faria chegou ao Brasil no início do século XX e seguiu para São José dos Campos. Um de seus três filhos, José da Silva Faria, profissional pirotécnico, se estabeleceu em Pederneiras em 1918 e abriu uma fábrica de fogos de artifício, mantendo-a até a década de 1940, com comércio de fogos. Católico, participou da Irmandade do Santíssimo Sacramento. Casou com Maria Tereza Romeu, conhecida como Dona Emilia e tiveram dez filhos: Iolanda, Irene, Amélia, Olga, Olímpia, Laurentina (Laura), Maria José, Francisco e Terezinha da Silva Faria.
José de Brito Martins, do Minho, em Viana do Castelo, chegou em Recife em 1878 e seguiu para o Rio de Janeiro, onde exerceu a profissão de pedreiro até 1884. Ainda no Rio de Janeiro, construiu o depósito de água da cidade a pedido de D. Pedro II. Em 1885 seguiu para Jaú onde foi construtor e depois passou a administrador de fazenda. Mudou para Água Limpa (Santelmo) onde adquiriu terras tornando-se fazendeiro e colaborando por muitos anos com a igreja, escolas e em todos os movimentos do distrito.
Manoel Coque, de Lisboa, veio para o Brasil e fixou-se em Tatuí. Seu filho Augusto Coque mudou para Pederneiras em 1922, com sua esposa Maria de Mattos Coque, e adquiriu casa de comércio na avenida Tiradentes, esquina com a rua Washington Luis (atual rua 9 de Julho, onde hoje está o Banco do Brasil). Nesse local, juntamente com os filhos, permaneceu até 1963. Augusto e Maria de Mattos Coque tiveram oito filhos: Amador, Heitor, Eurico, Gilberto, Minervina, Maria, Inês e Hermila Coque.
Felisberto Duarte, de Lameira de São Pedro, chegou ao Brasil em 1920 e seguiu para o distrito de Guaianás, onde trabalhou na lavoura. Após três anos trouxe a esposa Iria Cravinha da Cruz e seus três filhos: Maximino, Armênio e Alfredo. Armênio casou com Conceição Felipe. Maximino seguiu para São Paulo, retornando em 1939 e assumiu o quadro de enfermeiros da Santa Casa. Foi funcionário da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Católico, participou da Congregação Mariana. Casou com Joana Stabile e tiveram quatro filhos: José Antonio Cruz Duarte (sacerdote, é Frei Franciscano da Ordem dos Frades Menores), José Luis (administrador do Hospital Geral da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, no Rio de Janeiro), Maria da Glória e José Maria Cruz Duarte, comerciantes.
José Gonçalves Dias chegou ao Brasil em fins do século XIX e se estabeleceu em Campinas. Casou com Escolástica de Oliveira e tiveram cinco filhos: José Gonçalves Dias Junior, Pedro Paulo, Armando, Antonio Ary e Geni de Oliveira Dias. Mudaram para Pederneiras em 1900 e adquiriram a fazenda Mirassol para cultura de café. Em 1911 adquiriu um prédio na rua do Comércio (atual rua 9 de Julho) onde instalou o primeiro cinema da cidade, o Cine Progredior. Em 1922 transferiu o cinema para a rua Municipal (atual rua Siqueira Campos) com o nome de Cine Ideal. Com a morte do pai, assumiram o seu filho José Gonçalves Dias Junior (Juca) e Escolástica. Nesse mesmo ano adquiriram o Central Cinema construído na rua Belmiro Pereira, por Carlos Ghiraldeli e Vicente Rodrigues. Em 1934 assumiu a direção Pedro Paulo de Oliveira Dias que permaneceu até o seu falecimento em 1974. José Gonçalves Dias Júnior, Armando e Antonio Ary se tornaram comerciantes.
Descendentes de portugueses, a família Franco radicou-se, provavelmente, em Minas Gerais. Alguns membros da família mudaram para Brotas onde nasceu Zacarias Antonio Franco, casado em primeira união com Joana do Espírito Santo e Silva. Foram morar na fazenda Pederneiras em 1857, cujos filhos Felipe e Tertuliano, juntamente com o pai, foram proprietários de terras no Macuco, no Curtume e na região central. Foram doadores, entre outros, de terrenos para a Igreja. Felipe Antonio Franco foi um dos primeiros intendentes na ocasião da instalação do município, em sete de Julho de 1891.
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