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Estação Ferroviária de Pederneiras

Inaugurada em 1º de outubro de 1913 e chamada pela própria Companhia Paulista de "uma das mais elegantes", a estação fez de Pederneiras entroncamento de duas bitolas — e hoje abriga o Centro Cultural da cidade.

Foto do acervo — a resgatarAs imagens deste verbete ainda estão no servidor do site antigo, aguardando resgate.

As ferrovias e a Companhia Paulista

A primeira ferrovia paulista foi a São Paulo Railway, inaugurada em 1867 entre Santos e Jundiaí. Tornando-se São Paulo o maior produtor mundial de café, toda a produção convergia para Jundiaí e de lá para o porto de Santos — e foi preciso estender os trilhos rumo ao interior, já que o transporte por mulas se tornara deficiente.

Com o apoio de grandes produtores e a liderança do presidente da província, Joaquim Saldanha Marinho, surgiram várias companhias: a Estrada de Ferro Sorocabana, a Companhia Paulista, a Mogiana, a Estrada de Ferro Araraquara e a Noroeste. Entre 1882 e 1917, a Companhia Paulista transportou gratuitamente mais de 700 mil imigrantes com destino ao interior.

Com a conclusão da primeira ponte sobre o Rio Tietê em 1904, o trecho de Pederneiras já estava em atividade desde 1903, como ponta de linha do ramal de Agudos — estendido até Piratininga em 1905 e ao novo ramal de Bauru em 1910.

A estação

Com a conclusão das plataformas e a cobertura em estruturas de ferro, a estação tinha uma pequena construção do lado superior externo dos trilhos, forçando os usuários a atravessá-los para adquirir as passagens.

Os alicerces do edifício, muros e muretas foram assentados com rochas basálticas talhadas à mão, parte delas visível até hoje — trabalho realizado por Marcial Pinal e seu filho Jerônimo Pinal, imigrantes espanhóis do ramo que chegaram no início do século XX. Na construção das paredes foram fixados trilhos internos de reforço; passados cem anos, não se nota uma mínima rachadura em sua estrutura.

O edifício foi inaugurado em 1º de outubro de 1913, sob a chefia de Benedicto Machado. Nas palavras de Mario Pinto Serva: “construção moderna e uma das mais elegantes da Companhia”.

Havia também o “virador”, mecanismo no início manual e depois eletrificado, que virava as locomotivas a vapor para o lado oposto. Peça importante era o reservatório construído na plataforma, que fornecia água tanto para as locomotivas quanto para os restaurantes e carros de passageiros.

A estação atraía passageiros e visitantes curiosos por seus azulejos — novidade na época — conhecidos como “ouro preto”, de origem alemã. Os pisos hidráulicos do hall de entrada, da sala de encomendas e do bar vinham da Casa Helvetia, de São Paulo.

O telégrafo

Do início do século até por volta de 1955, a estação contava com seis telégrafos, todos em atividade, com dois tipos de máquinas receptoras, Morse e Spagnoletti. Com esse meio de comunicação, a cidade se ligava ao estado, à capital e ao Brasil. Juntamente com a ferrovia, o telégrafo tirava Pederneiras do isolamento.

Entre telegrafistas, manobradores, ajuntadores, foguistas, maquinistas, limpadores e lavadores de locomotivas, chefe e auxiliares, a Companhia Paulista mantinha em Pederneiras cerca de 1.500 ferroviários.

A bitola larga

Com a eletrificação chegou também a bitola larga, de 1,60 m, fazendo de Pederneiras um entroncamento com baldeação. Foi considerada, na época, uma das mais valiosas conquistas da cidade depois da instalação da comarca.

Em 15 de novembro de 1941, grandes comemorações marcaram a inauguração da extensão da bitola larga até Pederneiras. A comitiva foi recepcionada na Câmara Municipal pelo prefeito Dr. Joaquim Cortegoso e por autoridades da cidade e da região. Houve homenagens dos alunos do Ginásio D. Luiz, do Grupo Escolar Eliazar Braga, da Escola Paroquial Coração de Jesus, da Escola Normal Livre e do Ginásio Municipal de Agudos. À tarde houve partida de futebol entre a Associação Atlética Pederneiras e o Luzitana Futebol Clube de Bauru; à noite, baile no Clube Recreativo Comercial animado pelo Jazz Bandeirante.

A partir dessa data, a Companhia Paulista passou a ter dez trens de passageiros para Tupã e dez para São Paulo, além da composição entre Pederneiras e Agudos, totalizando 21 horários diários.

“A quem honra, honra” — editorial de O Comércio de Pederneiras, 15 de novembro de 1941, redator Dr. Osny Fleury Silveira: “Pederneiras, que já tanto lhe deve, se enche hoje de íntimo regozijo, porque, no concerto das grandes cidades brasileiras, pode apresentar, como título digno de emulação, o fato de ser o ponto de intersecção de duas grandes zonas do Estado, o liame singular das duas bitolas da mais perfeita ferrovia da América do Sul.”

Das estatais às concessionárias

Em 28 de outubro de 1971 foi criada a FEPASA, reunindo cinco ferrovias, entre elas a Companhia Paulista, que servia Pederneiras. A empresa foi incorporada à Rede Ferroviária Federal pelo Decreto nº 2.502, de 18 de fevereiro de 1998, e privatizada em 10 de novembro do mesmo ano. A partir de 1º de janeiro de 1999 a malha passou à FERROBAN, depois sob controle indireto da América Latina Logística.

Hoje a rota Pederneiras–Santos é um dos principais corredores de escoamento de grãos e açúcar do interior paulista, operada pela MRS Logística.

A estação vira Centro Cultural

A antiga estação foi restaurada para receber o Centro Cultural do município, que recebeu o nome de “Izavam Ribeiro Macario”. No hall de entrada fica a Galeria de Exposições “Prof. Wilson Ruiz Fernandes”. Parte das dependências abriga biblioteca de arte, a Galeria de Prefeitos e painéis com a história cronológica do município.

A antiga sala de espera e seu piso inferior receberam as sedes da Divisão de Cultura e Turismo, do Projeto “Andar e Voar” e do próprio Projeto Baú de Memórias.

“Queríamos restaurar a estação e com ela a história da cidade. Por isso nos preocupamos em resgatar cada detalhe de cada canto da estação. Tudo, desde os pisos até as sancas do teto, foi restaurado”, explicou o diretor da Divisão de Cultura e Turismo, Jaime Assêncio.

O prédio pertence à União, e a Prefeitura Municipal tem a concessão de uso. A reforma foi realizada em parceria entre os governos federal e municipal.

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